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O Movimento Mobiliza UEG consiste num movimento unificado de professores, estudantes e funcionários técnico-administrativos da Universidade Estadual de Goiás, espontâneo, independente, não institucionalizado, não hierarquizado e que adota como estratégia de atuação a ação direta. Seu objetivo é intervir no processo de construção da UEG com a finalidade de torná-la, de fato, uma universidade pública, gratuita, autônoma e democrática, capaz de cumprir o seu papel enquanto instituição de educação superior, produtora e socializadora de conhecimentos que contribuam para o bem-estar da sociedade goiana, em particular, da sociedade brasileira, em geral, e, quiçá, de toda a humanidade, primando pela qualidade reconhecida social e academicamente.

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sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Reforma do Campus ESEFFEGO (Só Que Não) #SQÑ



A Reforma da ESEFFEGO, Só Que Não (#SQÑ)

O atual campus Goiânia-ESEFFEGO, pertencente à Universidade Estadual de Goiás, foi fundado em 1962 pelo então governador Mauro Borges. O local, que antes era uma praça de esportes da cidade, situado no tradicional bairro de Vila Nova, se tornou a primeira escola de formação de técnicos e professores de educação física do estado de Goiás. A antiga ESEFEGO (somente com um "F", pois ainda não havia o curso de fisioterapia) era uma fundação autárquica de ensino superior, e que no ano de 1999 passou a integrar a recém fundada Universidade Estadual de Goiás. Passados mais de 50 anos da sua fundação, a única reforma que a ESEFFEGO experimentou foi somente a do Ginásio I (atual Ginásio Ivo de Almeida Silva) iniciada no final de 2013, que foi totalmente reformado graças à pressão e à luta dos professores, estudantes e funcionários durante a famosa e selvagem  greve de 2013. Atualmente o campus ESEFFEGO encontra-se totalmente sucateado, com problemas estruturais gravíssimos que ameaçam a vida de pessoas que frequentam, estudam ou trabalham em seus espaços. A falta de reformas e o total abandono de um dos mais antigos campus da UEG, potencializam o sucateamento da instituição, tendo como consequência imediata  a precarização do trabalho de docentes e funcionários, além disso, promove também a falta de qualidade no ensino e na extensão ofertados aos alunos e à comunidade em geral. 
No ano de 2011, a ex-vice-reitora da UEG, Sra. Eliana França, (O governador Periggo havia criado este cargo na UEG para acomodar sua apadrinhada política) atual coordenadora da OVG (Organização das Voluntárias de Goiás), realizou uma visita ao campus ESEFFEGO e propôs a mudança do campus para o inacabado Centro de Excelência do Esporte, situado no centro da capital. Naquela época, só havia uma imensa cratera naquele local ofertado, um enorme buraco a céu aberto, cheio de lama, água da chuva e bilhões de mosquitos da dengue. Entretanto, a mudança não se efetivou, pois a reforma do  Centro de Excelência não tinha andamento. Vale lembrar ainda que a reforma do Centro de Excelência do Esporte teve início no ano de 2001, com gasto inicial estimado de R$ 15 milhões de reais, já em 2015 a reforma ainda se arrasta e a obra ainda não foi finalizada, onde o seu orçamento atual já ultrapassa o valor de R$ 100 milhões de reais (graças aos aditivos e ao sobrepreço das obras inacabadas). 
Ao mesmo tempo, em que foi oferecido este convite, engenheiros e agrimensores da AGETOP iniciaram visitas e medições de todo o terreno ocupado hoje pela ESEFFEGO no bairro de Vila Nova. Ao mesmo tempo, surgiram boatos entre os moradores do bairro, de que os lotes da região sofreriam uma grande valorização imobiliária, e o aviso era para que ninguém vendesse seus lotes ou casas naquele momento, pois a ESEFFEGO seria transferida de local, e em seu lugar haveria a construção de um grande empreendimento imobiliário ligado à gestão estadual. Já em 2014 veio a confirmação do boato, a implementação do famigerado e eleitoreiro projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que substituiria o atual Eixo Anhanguera. Um sistema de transporte caro, lento e que transportaria menos passageiros do que o atual BRT do Eixo Anhanguera. (Vale a pena lembrar que o caríssimo VLT de Cuiabá (MT), prometido como grande legado da Copa, está também inacabado e abandonado.) 
Iniciaram ainda em 2014 algumas demolições e desapropriações nas proximidades do Terminal Praça da Bíblia, também no bairro de Vila Nova e bem próximo da ESEFFEGO. Não por coincidência, veio novamente em 2015 o convite de mudança da ESEFFEGO para o centro da cidade (Centro de Excelência do Esporte). Tudo indica que a intenção é mesmo utilizar o terreno da ESEFFEGO como uma futura estação do VLT, e os boatos dos moradores da Vila Nova não eram apenas boatos, eram de fato histórias verdadeiras que se confirmaram. 
Não é de assustar o golpe do governo em promover a desocupação da ESEFFEGO, já que o mesmo tentou em 2013 a desafetação de várias áreas públicas na capital e no interior, áreas estas situadas em regiões nobres e estratégicas para venda e arrecadação de dinheiro na campanha eleitoral de 2014, mas tais iniciativas foram felizmente barradas pela justiça estadual. E agora em 2015 o governo já informou pela imprensa que irá retomar a venda de várias áreas públicas novamente, para aumentar a arrecadação do tesouro e tentar aliviar a falsa "crise financeira" propagada pelo governador Periggo, como forma de intensificação do ajuste fiscal e das implementação das políticas de austeridade sobre os trabalhadores e sobre a classe mais pobre de Goiás, a fim de promover a reprodução do grande capital espoliador internacional. Estes fatos ajudam a entender a intencionalidade da não reforma do campus ESEFFEGO, a estratégia é sucatear ao máximo e depois obrigar a mudança do campus, sob a desculpa de estar velho demais e de não prestar mais.
Como se não bastasse, vale ressaltar ainda que a indústria do fitness, ligado à educação física, é o ramo comercial que mais cresce no Brasil, segundo a ACAD (Associação Brasileira de  Academias de Ginásticas) o número de academias no país cresceu mais de três vezes em apenas 5 anos, saltando de 9.300 academias em 2007 para  21.700 academias em 2012, com faturamento estimado em mais de US$ 2,5 bilhões de dólares anuais. Somente em Goiás já somam 930 estabelecimentos, sendo já o 10º estado no Brasil com o maior número de academias instaladas. E por de trás desta mercantilização do corpo, existe a propaganda enganosa da prática de exercício físico ligada à saúde, o estereótipo do corpo perfeito (corpolatria), a falácia da qualidade de vida ligada às academias de ginásticas e também a grande mentira da saúde como sinônimo de ausência de doenças. A indústria fitness é sustentada, além dos fabricantes de roupas, academias, equipamentos, serviços e suplementos alimentares, também por universidades privadas que ofertam os cursos de bacharelado em educação física, com uma formação tecnicista e totalmente despolitizada, formando apenas técnicos e tarefeiros de academias,mas que são a mão de obra perfeita para este ramo de mercado, a formação de um exército de escravos sobre a forma de estagiários e de professores de educação física mal remunerados, sem vínculo empregatício, que são explorados cotidianamente nas suntuosas academias, recebendo em troca míseros salários, e que promovem a crescente reprodução da mais valia do capital fitness em Goiás. 
Vemos assim que  a não reforma da ESEFFEGO também atende aos interesses do capital privado (fitness), diminuindo a concorrência para com as universidades privadas, despolitizando a formação dos professores de academias, deslocando os estudantes dos cursos de educação física da UEG para se tornarem clientes na universidades privadas (fábricas de diplomas), com suas mensalidades estimadas em mais de mil reais (R$ 1.000,00). Vale lembrar ainda que o próprio governador Periggo, é também um grande empresário do ramo do ensino superior privado, sendo sócio de universidades particulares em Goiás. As próprias bolsas da OVG, concedidas pelo governo estadual aos estudantes matriculados em universidades particulares, cujo financiamento público sustenta todas as universidades privadas do estado, são uma forma velada de privatização e sucateamento da educação pública superior ("privatização branca"). Já é comprovado que um estudante que recebe uma bolsa da OVG e que estuda em universidade particular, custa muito mais caro ao tesouro estadual do que os próprios alunos da UEG, ou seja, seria possível que todos os bolsistas da OVG estudassem em uma universidade pública e gratuita, por um custo inferior ao atual pago pelo governo às universidades particulares. Mas por de trás destas onerosas bolsas da OVG, reside o paternalismo, o populismo e a demagogia do atual governador Marconi Periggo, que utiliza este instrumento (dinheiro público) como capital eleitoral e fonte de votos em tempos de eleições. 
Com todo o dinheiro que é transferido dos cofres públicos para as chamadas fábricas de diplomas (universidades privadas), via bolsas universitárias (bolsas da OVG), seria possível até mesmo a eliminação do vestibular com a ampliação de vagas e a construção de uma política plena de assistência estudantil no ensino superior em Goiás.
Sendo assim alertamos a todos os alunos, professores e funcionários do campus Goiânia ESEFFEGO que lutem pela reforma imediata dos prédios e das instalações do campus, realizando o enfrentamento contínuo ao governo e se mobilizando contra a mudança da ESEFFEGO para outras regiões ou localidades, não aceitando sair do campus, mesmo que se inicie a reforma prometida, pois a comunidade universitária da ESEFFEGO saindo do campus, não terá garantia nenhuma de retorno ao mesmo local no futuro. Vale a pena lembrar que o Colégio Estadual IEG (Instituto de Educação de Goiás) vizinho da ESEFFEGO no Bairro de Vila Nova, teve as suas obras de reforma iniciadas em 2010, e até hoje não foram finalizadas, e eles permaneceram nos prédios mesmo com a reforma em andamento. 
Mobiliza ESEFFEGO! Mobiliza UEG!

MOVIMENTO MOBILIZA UEG





segunda-feira, 18 de maio de 2015

ESTÉTICA PRISIONAL DO CAMPUS CSEH


Reforma estendida e estética prisional dos prédios do CCSEH

A reforma dos prédios do campus de CSEH deveria ter sido concluída em fevereiro deste ano, de acordo com a previsão inicial. Mas isso não aconteceu. Depois, tudo deveria ficar pronto até maio, e nada. Agora, talvez, em junho, mas pode ser que os cursos do turno matutino só retornem à sede em agosto. Os cursos noturnos retornaram ainda em fevereiro, mesmo com a reforma em pleno andamento. No matutino, as aulas ficam inviabilizadas, devido ao barulho e ao movimentação dos operários e dos equipamentos, além da poeira, tintas e outros resíduos.

Na semana retrasada, o reitor vistoriou as obras e "resolveu" ampliar a reforma do auditório e até repintar a parte externa dos prédios, que foram pintadas de cinza. Com essa pintura, as paredes externas ficaram parecidas com as de um presídio. Daí, a gozação: BEM-VINDOS À PRISÃO DE SEGURANÇA MÍNIMA. Ainda não chegamos à máxima. Mas a nossa rebeldia poderá levar a isso. Segurança máxima para o Marconi Periggo e o reitor. Aliás, este último esteve lá hoje à tarde novamente. Decidiu que vai fazer uma maquiagem na pintura externa, não mais a repintura completa. O burocrata-mor acredita que com os remendos poderá evitar as críticas ao seu, digamos, mau gosto estético. É preciso evitar gastos extra. Teremos de conviver com isso, pelo menos até uma nova reforma ou até fazermos um mutirão para pintar os prédios de outra cor. Desde que não seja uma combinação de azul e amarelo ou verde e amarelo, tudo bem.

Prossigamos na luta.



UEG SOFRÊNCIA - ABAIXO A RESOLUÇÃO CU Nº01/2015


domingo, 17 de maio de 2015

UEG SOFRÊNCIA - campus ESEFFEGO



ESEFFEGO SOFRÊNCIA

Daqui a cerca de um ano, o Brasil será sede dos Jogos Olímpicos, que tem como carro-chefe a espetacularização do esporte, através da organização e mercadorização do megaevento Jogos Olímpicos RIO 2016 na capital fluminense. Estádios olímpicos suntuosos, instalações esportivas de alto custo financeiro na cidade do Rio de Janeiro e o show midiático com os atletas celebridades ("pop star") do esporte vinculado ao capital globalizado. Mas, contraditoriamente, tais construções grandiosas e de luxo, são viabilizadas graças às desapropriações e militarização de favelas, instalação de UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora) nos morros cariocas, arrocho salarial, especulação imobiliária e aumento da inflação sobre o preço de alimentos, moradias e transporte público em todo o país. A realização das olimpíadas RIO 2016 afeta não somente a cidade do Rio de Janeiro, mas o Brasil como um todo. 
Goiânia, por exemplo, receberá nos próximos meses a visita de integrantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a fim de avaliar a possibilidade da cidade sediar delegações esportivas de outros países, para realização de treinamento de atletas de alto rendimento nas disputas  dos Jogos Olímpicos. A contra partida do governo de Marconi Periggo, para obter a chancela do COB em sediar as delegações estrangeiras, é oferecer o inacabado  Centro de Excelência do Esporte, localizado no centro de Goiânia, e que ainda se encontra em reforma,  como local de treinamento aos atletas olímpicos. 
As obras de construção do Centro de Excelência do Esporte foram iniciadas ainda no ano de 2001, ou seja, há exatos 14 anos atrás. O orçamento inicial foi estimado em cerca de dezesseis milhões de reais (R$ 16.000.000,00), e atualmente, levando em conta os aditivos (superfaturamento) e alterações do projeto inicial, o valor já ultrapassa os cem milhões de reais (R$ 100.000.000,00), quase sete vezes o valor projetado inicialmente. Sabe-se, no entanto, que provavelmente esta obra finalmente estará pronta até o final do próximo semestre, pois quando se trata de propaganda, espetáculo e populismo em favor do governo, as obras são adiantadas e finalizadas em tempo recorde. 
Porém, de forma também contraditória, em Goiás somos testemunhas do completo abandono em que se encontra uma das primeiras faculdades de Educação Física da região Centro Oeste, a ESEFFEGO, fundada em 1962, sendo uma das pioneiras na formação de técnicos e de professores de Educação Física no Brasil, e que desde 1999, forma um dos campus da Universidade Estadual de Goiás (UEG), localizado na cidade de Goiânia. 
Com ginásios abandonados, prédios com ameaça iminente de desabamento, salas de aula insalubres, falta de materiais pedagógicos e esportivos, número de funcionários insuficientes para manutenção e limpeza dos prédios, professores mal remunerados e ainda sucateamento total de todas as instalações esportivas, se torna a triste  e atual realidade da ESEFFEGO em tempos de olimpíadas no Brasil.
Como se não bastasse o total abandono e sucateamento do campus ESEFFEGO, existe atualmente a implementação, pela atual direção do campus, de um “pacote de maldades” sob a desculpa de economia de gastos, reproduzindo o falso discurso de austeridade fiscal inventada pelo próprio governo estadual. Esse chamado “pacote de maldades” vai desde a economia de papel, impressões, café, água mineral, demissões em massa de funcionários e até o aumento da carga horária docente, sem o devido aumento salarial (adequação à Resolução CU 2015/01), caracterizando o aumento da precarização e da superexploração dos trabalhadores (professores e funcionários) do campus. Dentro deste quadro sombrio e desumano, e agravando ainda mais a situação caótica, os professores e funcionários, não somente da UEG, mas como também todo o funcionalismo estadual, sofrem com o parcelamento dos seus parcos salários, que estão sendo divididos e pagos atualmente em duas (02) parcelas. 
Os alunos dos cursos de Educação Física e de Fisioterapia da ESEFFEGO, além de sofrerem as consequências diretas da precarização e do sucateamento, explicitados anteriormente, também sofrem bastante com a falta de bolsas e com a total ausência de uma política de assistência estudantil, e realizam seus estudos e atividades diárias  sem restaurantes universitários, sem moradias estudantis e sem transporte. No campus ESEFFEGO a situação é tão grave, que carteiras se tornaram objeto de luxo, não existindo carteiras suficientes para os alunos assistirem as aulas sentados, pois existe um déficit enorme de carteiras.



Além da alta precarização e da superexploração laboral docente, existe na ESEFFEGO o trabalho realizado sob a chamada “psicologia do medo”, onde professores, alunos e funcionários são assediados moralmente de forma contínua, sendo vigiados por câmeras instaladas ao longo dos corredores, e ainda coagidos por pessoas que escutam, vigiam e denunciam à chefia "rodinhas" de funcionários e conversas nos corredores, e também os diálogos entre professores. O medo de serem demitidos, em virtude do falacioso "Efeito USP" e das demissões em massa promovidas pelo reitor, com o aval dos diretores, torna mais vulnerável e delicada a situação dos funcionários da UEG, que agora se vêem mais ainda nas mãos dos diretores, do que antes (lembrando que mais de 90% dos funcionários da UEG possuem contratos temporários).
Existe ainda no campus ESEFFEGO um controle de ponto eletrônico (biométrico) para uso dos funcionários, que controla, oprime e violenta o corpo e a subjetividade dos trabalhadores, através do escaneamento e impressão das digitais. No entanto, tal sistema de controle biométrico é obrigatório somente para os funcionários da limpeza e da secretaria, ficando os funcionários da chefia isentos da obrigatoriedade. 



Sem  a permissão dos professores, pessoas invadem CPU's, arquivos, "pastas" e até "lixeiras" de computadores para vasculharem dados sobre professores, como forma de coação e intimidação, também como tentativa de forjarem provas ou acusações contra os mesmos. 
Como em um verdadeiro "campus" de concentração, há a vigilância, controle e punição total na ESEFFEGO,  onde qualquer "desvio", "má conduta", crítica ou pensamento contrário pode ser considerado "subversivo" e "criminoso". Ironicamente corpos são controlados, escaneados, agredidos, dilacerados e violentados dentro de uma Escola de Educação Física e de Fisioterapia.
Em muitas das reuniões da ESEFFEGO, vários professores que possuem ideias diferentes ou opinam de forma contrária à direção, são adjetivados publicamente, acusados falsamente ou ainda desqualificados entre os colegas. Algumas reuniões de congregação do campus já foram até mesmo filmadas com câmeras, como forma de intimidação, na tentativa de coagir vozes discordantes. Professores ou funcionários que tem a coragem de criticar, recebem injustas advertências e ameaças de processos, ainda são vítimas de sabotagens e perseguições pessoais em suas atividades acadêmicas, com atas forjadas e até mesmo fraude em concursos simplificados. Sobre tudo isso ainda impera o patrimonialismo, o nepotismo e o autoritarismo, onde chefes e diretores, que se acham os donos da coisa pública, fazem escolhas, nomeações, indicações e mudanças ao seu bel prazer.
À luta UEG! Quem cala consente, mas quem grita afugenta os opressores e os capitães do mato! Mobiliza UEG!

MOVIMENTO MOBILIZA UEG


domingo, 10 de maio de 2015

O Reavivamento do Fascismo na UEG


Nos últimos dias o Brasil inteiro está vivenciando manifestações e mobilizações de segmentos sociais ultra-conservadores e reacionários, ligados às camadas mais altas do país, que ao contrário das manifestações populares de maio e junho de 2013, tem como integrantes moradores de bairros nobres, na maioria de pele branca e de meia idade, também integram empresários, políticos da extrema direita e ainda manifestantes racistas skinheads. A pauta de reivindicação vai desde o pedido de retorno das forças armadas ao poder, o combate à corrupção, apoio à polícia federal e o impeachment da presidenta do país. Nas ruas dos bairros nobres, onde ocorreram as passeatas (“bairros da zona sul”), as características marcantes são a obsessão pela ordem e controle, beirando o higienismo, com manifestações “politicamente corretas”, “ordeiras” e elogiadas tanto pela mídia quanto pelos governantes, onde a polícia ou os vigilantes particulares contratados exclusivamente para estes eventos, guiavam e protegiam os manifestantes durante os deslocamentos. Registros de milhares de “selfs” junto a policiais, que eram instantaneamente (on-line) postados em redes sociais da internet, se tornaram virais na rede mundial. Exatamente o oposto do que ocorreu em 2013, atos marcados pelo descontrole, pela espontaneidade das manifestações oriundas das periferias das grandes cidades, pelo enfrentamento com a polícia e a hostilização às instituições governamentais e privadas, que são as verdadeiras promotoras da espoliação e da violência contra as classes mais baixas da sociedade. Estas formaram as características fulcrais e marcantes  dos movimentos como “Passe Livre” (São Paulo), “Frente de Lutas Contra o Aumento da Passagem” (Goiânia) “Não Vai Ter Copa” (Rio e Fortaleza). Já os atuais movimentos como os chamados de “15 de Março”, “Movimento Brasil Livre” e “Vem pra Rua” (2015), tem em comum o culto ao pacifismo misturado a um patriotismo exagerado e caricato; a idolatria a juízes e promotores de justiça; abraços simbólicos às sedes dos tribunais e das polícias federais; corais de vozes que entoavam o hino nacional nas ruas e bandeiras brasileiras sendo carregadas dependuradas ao próprio corpo e ainda cartazes e slogans de “Passar o Brasil a limpo”, “Intervenção militar já!”, “Impeachment!”, que foram observadas no imenso verde amarelo das passeatas em Copacabana (Rio de Janeiro), Praça Tamandaré (Goiânia), Barra (Salvador) e tantos outros bairros nobres de várias capitais e cidades do interior do Brasil. A intolerância aos movimentos sociais populares, a exaltação do liberalismo de mercado e a espetacularização das mobilizações pela mídia, também deram o tom das mobilizações ocorridas a partir de março de 2015 no país.
Várias das características encontradas nestes movimentos, ocorridos a partir de maio de 2015, demonstram o reavivamento do movimento ultra conservador no Brasil, com viés nitidamente reacionário e explicitamente fascista. Porém, não somente nas ruas, mas bem pertinho, bem ao nosso lado, aqui mesmo na UEG, querendo nos possuir e nos tragar vivos. Este Revival fascista não é nenhum pouco diferente na universidade, ele é concreto e real. Estamos atualmente assistindo na UEG um movimento claramente fascista, marcado por posturas claramente autoritárias, higienistas, violentas, intolerantes e demagógicas, praticadas tanto pelo governo, pela reitoria e por diretores dos campus da universidade, que por sua vez passam a ter vários seguidores entre os nossos próprios páreas (docentes). Neste caso específico, o fascismo é travestido de nuances acadêmicas, ora de retórica politicamente correta, ora camuflado de um falso moralismo burguês e outras vezes escondido na forma de organização burocrática e de obediência à hierarquia, mas seus objetivos e ações são os mesmos daqueles.
O tecnicismo e a demagogia na implantação da atual reforma curricular, ocorrida recentemente na UEG durante o ano de 2014, e que até o momento não se concretizou (na verdade ninguém sabe o que virou ou o que irá virar esta “pizza de banana” da reforma curricular), camuflada através da criação de Grupos de Trabalho, a fim de criar uma aparência de algo organizado e sistematizado, com verniz de democracia, mas que foi imposto de cima para baixo, sem discussões abertas com a comunidade acadêmica, realizado de forma pragmática e aligeirada. A reestruturação curricular tem agora como produto final uma proposta de formação tecnicista, fragmentada e mercantilista. O atual currículo, sob o slogan de “educação multicultural e de excelência”, coloca nossos alunos diante de uma nova prisão, aliás, nova "grade" de disciplinas, capaz de capacitá-los ainda melhor às insaciáveis exigências do mercado, dando-lhes novas “competências” e novos saberes (técnicas) capazes de adequá-los à nova lógica da polivalência do trabalho, fruto da reestruturação do capitalismo globalizado e flexível (currículo flexível). Ou seja, o novo currículo da UEG é capaz de condicionar e adestrar melhor o nosso estudante para a venda de seu próprio corpo, sangue, tempo e alma à selvageria do capital mundializado e flexibilizado.
O cinismo da resolução CU nº01/2015, também imposta pelo governo estadual para economia de custos através do aumento da mais valia, da precarização e da exploração do trabalho docente, foi aprovada de forma violenta, sem a participação e o pleno diálogo com a comunidade acadêmica, ainda com direito de fala negado aos próprios professores presentes na reunião de votação. E sob o discurso economicista de evitar uma “crise financeira” na universidade, a resolução foi aprovada também de forma autoritária e anti-democrática pelos “nossos representantes” presentes no C.U., sobre a regência do próprio reitor.
Como se não bastasse,o desumano e violento parcelamento salarial dos trabalhadores, com prejuízos incalculáveis ao funcionalismo público estadual, também denota o autoritarismo e os desmandos do governo, que sob o mesmo falso discurso de “crise finaceira” da reitoria (“Efeito USP”), obrigam os trabalhadores a se tornarem reféns da perversa lógica dos juros dos bancos e do arrocho salarial. Atrás desta longa conversa falaciosa e economicista, intitulada de “crise”, existe a intenção de manutenção, continuidade e de ampliação da lógica de reprodução do capital internacional, que exige o cumprimento de cartilhas de austeridade fiscal, contenção de custos, arrocho salarial, anulação de direitos, e que representam nada mais, nada menos do que a transferência do capital público (nossos parcos salários e direitos) para o capital privado internacional, que é representado em Goiás principalmente e prioritariamente pelo agronegócio. Onde está a crise então? Que crise? Crise? Segundo o jornal Diário da Manhã (09/05/2015), o agronegócio brasileiro, onde o estado de Goiás é o carro chefe,  não viu e nem sabe o que significa a palavra “crise”, pois os lucros somente no mês de abril, com exportações de carne, café, soja, açúcar e produtos florestais ultrapassaram a cifra de U$ 7 bilhões (de dólares!). (fonte: Agrostat) Mas é Friboi? .
Outros exemplos da ressonância fascista, ocorrem também dentro das próprias reuniões de colegiados e de congregações dos campus da UEG, onde professores são constrangidos a não colocarem determinadas pautas em discussões ou em  debate, em nome da intolerância e da não alteração das relações de poder, e que vem travestidas por vozes doces e angelicais, pelo discurso do politicamente correto e pela lógica da ordem e do progresso, tal qual as vozes dos movimentos fascistas de rua em maio de 2015, explicitados anteriormente. Mas, a ideologia fascista vem escondida atrás da retórica do não confrontamento, do falso discurso de “paz e amor”, do pacifismo absoluto, do higienismo, do moralismo, do respeito à ordem e da defesa do status quo. O medo de alteração das atuais relações autoritárias de poder, tentam silenciar as vozes críticas e discordantes do debate, tentam calar as discussões com a retórica demagógica do academicismo, da intelectualidade técnica, do culto à autoridade e da representatividade, cujo produto final é a apatia, o imobilismo e a manutenção das zonas de conforto e de privilégios. O exemplo de um caso concreto, ocorrido recentemente comprova a tese em questão, na última reunião de colegiado do curso de Educação Física do campus ESEFFEGO (em 09/05/15), o diretor do campus, o Sr. Wanderley de Paula Junior, solicitou a todos os docentes a economia no consumo de toners, papel e impressões, (sendo que há muito tempo, já estão racionando a água mineral e o café por lá), porém, de forma contraditória e hilariante, nesta mesma reunião foi realizado por professores a denúncia e reclamação sobre a utilização do veículo da UEG de forma indevida, pois o automóvel do campus, que deveria ficar a disposição somente para atividades acadêmicas, estava também sendo utilizado para buscar e levar somente funcionários da chefia para as suas residências (uso exclusivo em família?). Estes são os tentáculos do fascismo, oprimir os trabalhadores para permitir a reprodução e a continuidade dos privilégios a uma elite burocrática. Um professor presente, de forma irônica e sarcástica solicitou também que o motorista o buscasse e o levasse em sua casa todos os dias, já que segundo o mesmo, o transporte coletivo em Goiânia, além de muito caro (R$3,30), é um verdadeiro caos. Ainda durante o debate, o coordenador pedagógico do campus ESEFFEGO, argumentou que tal discussão era deseducada e que não cabia naquele ambiente e local, e que deveria ser levada para outra instância burocrática, ou seja, para os gabinetes fechados. Aqui outra nuance do fascismo, o autoritarismo disfarçado de politicamente correto, o higienismo e controle escondido por detrás da chamada ética da boa educação e do bom senso. Sob esta lógica, UEG não é local de discussão e de debates de idéias, pensamentos ou de construção da crítica, tal como se reproduz nos ambientes e reuniões do C.U. Não se pode discutir, debater, discordar e tornar pública as discussões realizadas na UEG. Estas são tentativas claras de silenciar o debate, de se tentar calar as vozes discordantes e de manter as regalias e os laços de poder. Qual é a reação dos fascistas? Procuram realizar a retórica da chamada "demonização" do indivíduo, tentam desqualificar e adjetivar as vozes discordantes, para que elas não ressoem nos ouvidos dos colegas, e para que aqueles sejam desprestigiados e excluídos do diálogo . Na UEG, não se pode falar alto, pois é deseducado, não pode falar palavrão, pois é deselegante, não se pode discordar, pois é feio demais. Os gestores da UEG, assim como o governador, não aceitam críticas ou debates, pois só estão acostumados com elogios e tapinhas nas costas, e como diz letra da música "tapinha não dói". 
O fascismo trabalha para a concentração e para a manutenção do poder nas mãos de uma minoria que já possui e controla o próprio poder. Na universidade o fascismo vem atrás do discurso academicista, tecno-burocrata e faz conservar a universidade em seus moldes verticais, burocráticos, autoritários e anti-democráticos.
Abaixo o fascismo na UEG! Pelo fim do autoritarismo e do patrimonialismo na universidade, por uma UEG mais democrática.